18 de janeiro de 2013

O Nomadismo

Tal como Hermes, que não satisfeito com a rotina fugia com seu pé alado, tocamos de leve o chão e iniciamos a vida errante. Ora aqui, ora acolá. O mundo, seja em que  ambiente for, seduz a curiosidade, faz-nos amadurecer. Inquietudes...

Adoro mudanças, do que não gosto é o processo: desfazer os mundos  das prateleiras dos meus livros, sequestrar objetos que ocuparão outros espaços, montar campos de batalha na casa quase desalmada. Mas faz parte e disso não há como fugir.

Ver a cidade, estar na cidade e andar nela nos preenche com os acontecimentos ordinários e tão humanos: massas de pessoas atravessando ruas e sinais, ônibus, carros, cães nas ruas, desalojados, animais silvestres erradicados andando por instalações elétricas aéreas, vizinhos preparando café, desentendimentos, flores no meio do caminho - o olhar segue isso e mais.

Retirar-se da cidade, do meio urbano, estando dentro dela, será uma nova aventura. Subir estradas aonde o ar ainda é fresco, com vegetação que ainda respira, é revigorante. Espaço para a Neve: isso não tem preço. Espaço para mim: desejo raro. 

O melhor disso tudo: ser errante, nômade por escolha. Viver e contar. Lembro sempre de Rimbaud e Goethe - entre outros escritores que não menciono, puderam contar para o mundo sobre o que viram e viveram em diferentes territórios. Isso é ser rico na vida! Isso é aventurar-se!

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