22 de outubro de 2012

Cada um com o seu terroir...


Somos, cada um de nós, um terroir. No mundo dos vinhos, o terroir pode englobar também o conceito dos vinhos que se opõe a tudo o que é uniformização, padronização,estandardização e é convergente ao natural, ao que tem origem, ao que é original, ao típico, ao que tem caráter distintivo e ao que é característico. Vinhos que se opõe a tudo que não possui identidade, a tudo que não está em harmonia ao solo, sua estrutura, sua exposição ao sol, vento e chuva, sua orientação geográfica, sua topografia, o clima, e o micro-clima que lhe está associado. Alguns vinhos são pobres, outros são nobres, carregam em si o gosto da terra, de suas colinas, de suas frutas, de sua história, de sua identidade.

Provo um vinho e em minha boca surgem histórias de aridez, de conservação, de sobrevivência, gostos amadeirados, de trufas, de frutas, de chocolates, baunilha. Surgem histórias de amores e decepções. Tempos de guerra e de paz, glória e queda. Em sua junção com o alimento, o enredo enriquece, a história se prolonga, vira romance. Alguns conhecidos não sentem o seu terroir, não vivem o seu terroir, curvam-se ao igual. Em minha família, sempre fomos diferentes. Herdamos o terroir de tempos antigos, tempos de outra gente, de outra geografia, de outros valores, códigos.  Antigo e novo continente - mistura espetacular de tradições e novas construções. Envelhecemos e ficamos melhores, resistentes, com gostos particulares, bem vividos em meio às adversidades do tempo.Com o tempo, vamos amadurecendo nosso savoir-faire.

14 de outubro de 2012

Casa Cor 2012: 4 pavimentos de puro bom gosto

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Uma série de eventos em outubro está abrilhantando a cidade do Rio de Janeiro. Apesar das mazelas, temos a estrela da sorte que acompanha as pessoas empreendedoras que divulgam nossa beleza. Ouvi dizer durante a semana: "a Casa Cor Rio de Janeiro 2012 superou todas. Está linda!".  Gente, confesso que desconfiei. Mas tive a oportunidade de ser convidada para visitar a Casa  do Estudante e ver com os meus olhos se os elogios eram verdadeiros. 

É tudo verdade. Está tão linda a edição 2012 que ficou difícil escolher a foto para ilustrar a postagem. Alguns espaços me encantaram: o corredor da Joana César, o Home Office de Ana Lila Denton e A. Juarez Farias Jr., o Cocktail Bar de Paola Ribeiro, o ambiente de cores e pallets da Click Interiores, o Apartamento Carioca de Alexandre Lobo e Fábio Cardoso, fotos diversas nos corredores, os elevadores, ufa,  a lista é interminável. São 4 andares de puro bom gosto. Não há espaço para dizer "este não ficou bom" pois tudo ficou muito muito bom. A seleção de arquitetos, cores, estilos, ideias...não vou falar mais nada, o negócio é visitar. Em tempo, o Armazém Sebrae está com lindas peças para venda feitas por artesãos do Rio de Janeiro - uma exposição e tanto! A Casa Cor Rio de Janeiro 2012 está ocupando a Casa do Estudante, que fica Avenida Rui Barbosa. Acesse o site aqui e veja o serviço, não perca essa edição!

10 de outubro de 2012

O que Neve me diria se pudesse falar (1)

Quem me conhece sabe que religiosamente saio com a Neve duas vezes por dia. Sairia três vezes, se tivesse mais tempo. Assim como nós, cães precisam, para além das suas necessidades, sair para encontrar os amigos, para não deprimir, para ver as novidades, para ver a paisagem, para conversar. Na verdade, nesses nossos passeios, acho que eu mais converso do que a Neve. Fico conversando comigo mesma, e com ela, sobre o trabalho, sobre a sobrevivência, sobre as experiências que não deram certo, sobre as pessoas que habitaram minha casa e que ela conheceu. Converso com Neve sobre nossos respectivos semelhantes que não encontraram a sua sorte, aqueles que estão abandonados e que vemos todos os dias nas ruas. A tristeza da nossa impotência... Recentemente, um dos assuntos recorrentes tem sido as perdas: perdemos pessoas queridas, pessoas que conhecemos perdem seus familiares, perdem seus pertences, perdem seus afetos...isso tudo gera tristeza. Chego à conclusão que apesar de tantas perdas, a vida nos dá muito - em geral deletamos o sentimento de gratidão, cobramos sempre. Da vida, ganhamos e perdemos todos os dias. Nascemos sabendo que vamos perder. Manter dá trabalho e é preciso muita coragem, muita luta. Será isso a sobrevivência: a luta para manter? Olho para Neve enquanto penso essas coisas todas. Neve olha para mim, com seu olhar de paisagem. Fico imaginando o que passa nessa cabecinha. Talvez ela pense assim: "Um dia eu nasci. Um dia tive pais. Um dia eu tive uma família, uma casa. Num dia, eu estava amarrada a um poste, no meio do nada. Tinha sido abandonada, perdido tudo. Depois de dois dias, eu passei a ter uma outra vida. Eu passei a ter uma família grande de pessoas e outros animais que eu nunca tinha visto. Depois eu voltei a ter uma família, pequena, mas é uma família. A vida é assim. A gente tem tudo. A gente perde tudo. E precisa continuar viva." Acho que ela estaria muito certa: a gente tem tudo e a gente perde tudo.

3D


6 de outubro de 2012

Salada no Vidro

Pode ser uma ideia prática para quem tem refrigeração no escritório.
Dica para o Verão.


5 de outubro de 2012

O que acontece, Leão?

De repente as máquinas ficam doidas, os Sony Vaio, de casa e do trabalho, resolvem quase que literalmente ir para o espaço. Não obedecem as minhas ordens, meus comandos. As plataformas de conteúdo entram em defeito. O que causou? "Foi meu dedo no botão errado?" - perguntei ao programador. "Não, hardware tem dado muito defeito ultimamente" - diz ele tranquilo. A internet está lenta, os dados não sobem tão rápido; mas descem que é uma beleza. Colapso à vista nas bandas? Quem sabe... Meu mouse sem fio hoje parou de andar. Não corre pela tela nem por um decreto. O iPhone começa a dar sinais de exaustão e cansaço - mas já está na hora de aposentar? Não é possível. O iPad chegou, é maravilhoso, mas ainda não entrou na minha rotina total de trabalho, mais alguns dias talvez. Angústia. Angústia. O que acontece? Há dias em que não estou zen, não está tudo bem. O efeito é em cascata. E como administrar o que nos foge ao controle? Acordo antes da hora e não consigo levantar da cama. As horas passam. Atraso-me para o trabalho. O telefone toca, não tenho vontade de responder. Respiro. Respiro. A maldade do mundo, a insanidade do mundo estará batendo à minha porta? Assusto-me. Tenho que sair, mas não posso deixar que o desequilíbrio permeie minha pele, invada meu humor. Respiro. Respiro. Amanhã será outro dia. Penso nas estratégias de sobrevivência, truques contra o boicote. Acorda, Leão! Ruge e espanta essa angústia.

1 de outubro de 2012

Sair do comum. Ser com Sal

Primeiro: Sal é algo que sempre me chama a atenção. Primeiro, pelo gosto. Segundo, pelas cores - sim, hoje o sal tem cor, coisa que antigamente não existia. Terceiro, sal é sal! Sair do comum é ser com sal, é ter personalidade, ter sabor, verve. Um dos meus hábitos mais recentes é experimentar diferentes tipos de sal. Digamos que essas experiências, na verdade, nos sequestram do comum e nos levam para um mundo mais divertido, criativo, mais alegre. Alegrar o espírito é um talento.

Segundo: Encontrei C. na sexta-feira. Fomos tomar um drink e comer algo. Tirei da bolsa o sal vermelho que comprei para dar de presente. Vermelho, cor da paixão, cor da vida, do sangue. Para mim, vermelho é uma cor de alegria, felicidade. Sal vermelho: o máximo do incomum e com particularidade. C. me contou certa vez que tem somente duas panelas. Humm, quem sabe o sal faz a família da kitchen crescer? Neste fim-de-semana, além do sal vermelho, vi que C. levou para a cozinha o azeite trufado. Será que em breve sai um jantar? Há certos toques mágicos que provocamos na vida dos outros que satisfazem o coração, de graça, sem retornos ou segundas intenções. Tão bom fazer esse carinho nos amigos, cada vez mais raros hoje em dia. 

Terceiro: Domingo foi dia de almoço fora. O céu estava lindo, azul de brigadeiro - não brigadeiro doce. Sob o sol, almoçamos, confortavelmente, saciando nossas fomes, enquanto o povo se preparava para o FlaxFlu. Compassadamente, falamos sobre o hóspede, sobre os negócios, sobre os projetos, sobre o sol, sobre pessoas, sobre nossas realidades íntimas. Desta vez os dispositivos móveis não compareceram ao almoço. Mapeamos o mundo na mesa, falamos das viagens - aquelas feitas e as que ainda nos aguardam. Guardo nas páginas do livro da vida a imagem dos olhos brilhantes, mais corajosos, mais sagazes - estão se transformando em olhos de leão, de um verde dourado. Vou montando um móbile de Calder, com as peças que surgem a cada dia: negras, vermelhas, amarelas, azuis, roxas, verdes, brancas. Formas abstratas, animais desconhecidos, peixes, seres voadores. E não é assim que vemos o outro, a nós? Sem cores e formas a vida fica sem graça, fica sem sal...e sem açucar :D