22 de outubro de 2012

Cada um com o seu terroir...


Somos, cada um de nós, um terroir. No mundo dos vinhos, o terroir pode englobar também o conceito dos vinhos que se opõe a tudo o que é uniformização, padronização,estandardização e é convergente ao natural, ao que tem origem, ao que é original, ao típico, ao que tem caráter distintivo e ao que é característico. Vinhos que se opõe a tudo que não possui identidade, a tudo que não está em harmonia ao solo, sua estrutura, sua exposição ao sol, vento e chuva, sua orientação geográfica, sua topografia, o clima, e o micro-clima que lhe está associado. Alguns vinhos são pobres, outros são nobres, carregam em si o gosto da terra, de suas colinas, de suas frutas, de sua história, de sua identidade.

Provo um vinho e em minha boca surgem histórias de aridez, de conservação, de sobrevivência, gostos amadeirados, de trufas, de frutas, de chocolates, baunilha. Surgem histórias de amores e decepções. Tempos de guerra e de paz, glória e queda. Em sua junção com o alimento, o enredo enriquece, a história se prolonga, vira romance. Alguns conhecidos não sentem o seu terroir, não vivem o seu terroir, curvam-se ao igual. Em minha família, sempre fomos diferentes. Herdamos o terroir de tempos antigos, tempos de outra gente, de outra geografia, de outros valores, códigos.  Antigo e novo continente - mistura espetacular de tradições e novas construções. Envelhecemos e ficamos melhores, resistentes, com gostos particulares, bem vividos em meio às adversidades do tempo.Com o tempo, vamos amadurecendo nosso savoir-faire.

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