9 de setembro de 2012

Sol, bom humor e ficção

É inverno ainda. Primavera será daqui a 14 dias. Amanhece um dia de pleno Verão...calor. Mesmo para meu gosto pelo sol, hoje será melhor andar à sombra. Desço e vislumbro a rua como destino. Tomar um ônibus será mais rápido, já que o horário está marcado. Fuga para o ar-condicionado. Uma dor-de-cabeça me espeta a nuca, desde a madrugada. Não há Neosaldina que chegue. Se fosse um coelho, pediria um golpe de misericórdia para acabar com a dor, mas não sou um coelho. Talvez seja fome. Hora do pequeno almoço, afinal, são 11h.  Encontro a amiga, me conta as novidades do seu livro recém-lançado. Está feliz e isso me basta para ter o dia feliz também. Felicidade deveria ser mais contagiosa do que o medo, o rancor, os males da vida. Uma amiga da minha amiga nos encontra no café - confesso que o destino reserva para  L encontros sempre interessantes. A amiga da amiga está com outra amiga, uma escritora que ainda não li, mas cujos livros conheço e já passaram por minhas vistas. Chamo isso de momento auspicioso. O mundo é um moinho e o Rio de Janeiro quase um balneário do mundo. Pensamos no mesmo: vamos andar na praia depois do café. Antes, vamos deixar uma encomenda num prédio elegante na Delfin Moreira. A partir dos 40, vivemos e trabalhamos ao mesmo tempo. Fazer dinheiro e felicidade é uma meta. Infelizmente, alguns pares tornam-se ímpares...é a vida. Passamos na livraria grande e famosa, conheço um dos poucos livreiros, acredito que seja o único de toda aquela rede, seu nome é A. Estudou ser livreiro na Alemanha e respeito muito o título, que ele não exibe, apesar de ter todas as chancelas. Apresento L e mostro o livro dela que está na pilha dos lançamentos.Elegantemente ele tira uma pilha mais da frente e no lugar coloca a pilha dos livros de L. A é muito elegante e diplomático. Todo livreiro deveria ser. Deixo-os conversando um pouco. Eu olho para os lados e namoro as outras pilhas cheias de novidades. A tentação de fazer outra pilha passa quando lembro da minha pilha de casa. Damos uma voltinha pelos CDs e DVDs. O frescor do ar-condicionado da livraria nos prepara para a reta final da andança do dia: a Lagoa. L já está escrevendo o próximo livro, me conta a sinopse. Será um excelente livro, melhor do que o primeiro. Penso isso e falo. Falo de verdade, não da boca para fora. Falamos da vida, dos amores, do dinheiro, dos trabalhos, dos nossos cães. Nos despedimos. Na esquina de casa, entro na lanchonete e peço um suco de melancia. Antigamente, muito antigamente, domingo era dia triste. Hoje, domingo é sol, bom humor e ficção.

2 comentários:

Vilma Goulart disse...

Tá começando a virar cronista,hein, Dona Nélida! (rs)

Bacana!

Nelida Capela disse...

Adorei a visita, Vilmoca :o)