3 de setembro de 2012

O hábito de fotografar (1)

Estava com Cris Ramos caminhando do Anhembi de volta para o hotel, finalizando mais um dia de trabalho na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, conversando sobre o hábito de fotografar: hoje tiramos foto de tudo, somos visuais. Minha mãe fotografava muito bem com sua Canon mecânica, ajustando ASA, velocidades e outros recursos das câmeras com as quais nunca tive familiaridade. Aliás, eu não tinha intimidade alguma com a máquina de fotografar, nem na frente e nem por trás das câmeras - fugia sempre, bicho do mato que eu era. Antigamente as câmeras eram muito caras e seu manuseio requeria conhecimento técnico. Passamos a ter pouco contato com essa linguagem...visual. Atualmente, os modelos de câmeras d-i-g-i-t-a-i-s, diga-se de passagem, espalham-se tão fácil quanto modelos de celulares com a mesma ferramenta. Hoje todos fotografamos. Hoje todos somos fotógrafos...com mais ou menos qualidade - tudo depende de quem vê. No dia seguinte, após o breakfast, passei no Business Center do hotel para fazer a leitura dinâmica da Folha de São Paulo, de repente deparei-me com o artigo de Luli Radfaher intitulado "Todos devem fotografar". Nossa, caiu como uma luva para um dia após nossa conversa. Escreve Luli: "Até a metade do século passado a comunicação era quase só verbal. Fazer e consumir imagens era reservado a experiências místicas ou a privilegiados, normalmente na forma de arte." Convido todos a lerem o artigo pois assim podemos também nos educar para a leitura do mundo que está em nossa frente e que muitas vezes não enxergamos. Fotografar faz parte de um olhar educado.  

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