26 de agosto de 2012

Estar em São Paulo

Recorte do múltiplo Aeroporto,
de Cássio Vasconcellos
Na recente passagem por São Paulo, fiz uma listinha do que queria fazer no caso de conseguir abrir um espaço de tempo na agenda do evento em que trabalhei. Eu queria visitar a Liberdade, experimentar algo no balcão do Kinoshita. Desejava também passar pelo MASP e dar um alô para a Medusa de Caravaggio.  Outra ideia era dar um pulinho na Petrossian do Iguatemi. Não posso dar check-out nos parcos itens da lista, mas um deles me proporcionou experiências muito boas: visitar o Instituto Tomie Ohtake - este item eu cumpri! Sair do Anhembi, pegar o transfer do hotel para o metrô Tiête Portuguesa, entrar no trem da Linha Azul, saltar na Luz e pular para a Linha Amarela, descer na estação Pinheiros, andar até a Faria Lima, passando pelo SESC Pinheiros e chegar finalmente lá! Ufa!!! A nova estação Pinheiros é linda, mas subir aqueles andares todos às 17h30 da tarde é quase insanidade. Você não sai dali por vontade própria, você se movimenta em coletivo, que te leva até mesmo à escada rolante, mesmo quando a sua vontade é pegar as escadas a pé. Observação particular: os trens do metrô de São Paulo são limpos, iluminados, eletrônicos -lembrei de NY. Voltando ao percurso estação-Instituto, no SESC Pinheiros está a exposição Tutto Fellini, que foi abrigada no Rio de Janeiro pelo Instituto Moreira Sales. Andei e finalmente cheguei ao ITO. Muitas exposições, muitos cursos, tudo ao mesmo tempo. A grande abertura da semana foi a III Mostra 3M de Arte Digital - Tecnofagias. Muita riqueza cultural na mostra, com muitos recursos tecnológicos, nada que iniba a interação humana. Na primeira sala, Arthur Omar com a sua Antropologia da Face Gloriosa, 5  projetores jogando as imagens das faces que iam se transformando com a interferência do software, sonorização adequada ao contexto. Bárbaro! Ao lado da sala, a instalação eletrônica de Gisela Motta e Leandro Lima chamava a atenção - só vendo e ouvindo para sentir o impacto do I.E.D. (Improvised Explosive Device), de 2007, video, 4' loop, 5.1 surround sound. Surround mesmo! Mais duas experiências da Tecnofagias me chamaram a atenção: na sala da Cia de Foto, o cinema novo de Glauber Rocha em diálogo com Deleuze, Rancière. Pedrada de conteúdo. Painéis de Cássio Vasconcellos - me apaixonei pelo grande múltiplo Aeroporto. Terminada a visita acompanhada de Elaine Eiger, que foi minha super-guia cultural da exposição, fomos tomar um café em frente com o prazer de ver Ricardo Ohtake e Arnaldo Antunes. Voltei de metrô para Santana. Fechei a noite com saldo positivo. O Rio de Janeiro tem a praia, a beleza natural, mas o banho de cultura, com uma beleza bem particular, quem dá é a cidade de São Paulo.

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