1 de agosto de 2011

O espaço vazio como lembrança: a morte do meu tio

A morte nunca me fez bem. Aliás não faz bem a ninguém, egoísmo pensar que somente eu sofreria com isso. Hoje soube que meu tio morreu há duas semanas, o irmão mais novo do meu pai, meu tipo mais jovem, que teria a idade da minha mãe, 58 anos. Jovem, pois eu acabo de completar 41. Pelas contas, meu tio morreu próximo ao dia do meu aniversário, mesmo dia do aniversário da mulher dele, minha tia Linda, atualmente viúva. Sempre que lembro do meu tio, após a baixa no Exército, claro, lembro do magricela cabeludo e barbudo, que carregava sempre na boca o cigarro e na mão o copo, para desgosto da minha avó portuguesa, a Vó Maria. Meu tio morreu por causa do cigarro e da bebida. Essa imagem ali ao lado baixei da internet tem alguns dias, eu ainda não sabia que iria utilizá-la para escrever este post. Esse espaço, reservado aos poucos que não fumam, "non smoking area", me faz perceber que cerca de mim tenho muitos amigos e amigas queridas que fumam e que eu desejo que não tenham o mesmo fim do meu tio, um fim de vida adiantado pelo vício  desleal e violento do cigarro, que nem tabaco é mais; é pura química   da trapaceira indústria. Gostava que meus amigos tivessem uma vida longa, tão longa quanto a minha e que pudessem não sofrer com a falta de ar, com a decomposição viva dos órgãos, com a insuficiência. Gostava que essa possibilidade de morte não existisse e pudéssemos todos partir desta para uma outra melhor, sem a doença. Adeus, Tio João, vê se na outra vida pega mais leve e não se deixe arrebatar pelos vícios. Eu não sou puritana, mas se a gente puder ajudar a vida, é a melhor política.

2 comentários:

Vilma Goulart disse...

Bonito post, Nélida

Nelida Capela disse...

Tadinho do meu tio, morreu de câncer :o(