1 de setembro de 2010

O Futuro?


Na minha cabeça, desejar algo nunca foi difícil ou impossível para mim. Quando desejava algo, pensava muito e acontecia. Não era passe de mágica, não. Era uma mistura bem equacionada de desejo, iniciativa e atitude. Mas isso funcionava há  tempos atrás. Quando a gente é mais jovem, esse tipo de artifício funciona. Hoje, aos 40 anos, vou te dizer: o buraco é mais embaixo. Aprendo que querer não é poder. A não ser que você passe por cima de tudo e de todos. É só deixar o lado negro da força surgir... Mas não vale a pena, vale? E o que me trouxe a este monólogo aqui? Eu estava no Twitter - lugar muito interessante, vocês deveriam visitar - quando avistei na minha TimeLine um artigo da Eliane Brum chamado "Ninguém quer o futuro". Opa, esse negócio aqui é profundo...e é mesmo. O texto começa assim: 

"No passado, havia um futuro. Cresci acreditando que o futuro seria um tempo melhor. Meus pais cresceram acreditando que no futuro haveria um mundo melhor. Minha filha começou a duvidar do futuro. Meus netos possivelmente temerão o futuro. Não é uma mudança pequena. Não consigo avaliar com precisão o quanto isso nos modifica, mas escuto e olho e percebo que nos transforma. E imagino que seja uma transformação profunda. Esta vida em que preferimos não ter nenhuma representação de futuro. Já que qualquer representação baseada na realidade prevê a possibilidade do nosso fim. Não mais um fim do indivíduo, com a morte que nos aguarda a todos, mas o fim da espécie." Leia texto na íntegra aqui.

Eu fico aqui pensando: o futuro, assim como o misterioso e o incerto, sempre assustaram a humanidade. Mas o que, na minha opinião, assusta mesmo, é fazer parte da construção dele, quer queira, quer não. A gente não pode dizer tal como a Xênia (alguém ai lembra da Xênia?) "Pára mundo, que eu quero descer!" A gente tem que seguir adiante, faça chuva ou faça sol. Mas por quê ler o texto de  Eliane Brum? Porque é ótimo e vai além. Cita Viviane Mosé, por exemplo; fala do mundo que vivemos hoje; fala da vida; fala da oportunidade de sermos melhores!Isso me lembra Borges. Mas no próximo post voltamos a ele.

Um comentário:

Rita Braune disse...

Nelida,

Iniciei meu dia bem cedinho neste primeiro de setembro que nos remete à tempos de primavera e esperanças, lendo esse excelente post.
Bela reflexão, belo texto !
Parabéns! O futuro é agora!
Beijos,
Rita