31 de agosto de 2010

TwitterLand


PARTE 1: 
Há algum tempo atrás, uns 7 anos, eu estava no Bryant Park, que fica nos fundos e acima do subsolo da Biblioteca Pública de Nova Iorque. Eu fazia pesquisas na biblioteca e na hora do almoço ia comer alguma coisa por ali e ver o que acontecia, pois todo o dia acontecia algo diferente. Lembro que naquele período era a Semana de Moda. Mas o que me chamou a atenção naquele foram as lixeiras...cheias, abarrotadas de máquinas de escrever. Era uma instalação que cobria toda a área do parque, várias lixeiras cheias de máquinas de escrever que ficavam guardadas ali, no subsolo, logo abaixo do asfalto. Coisa curiosa...

PARTE 2: 
Acho que há 3 anos atrás conheci um negócio chamado Twitter, aonde você dizia o que estava fazendo em 140 caracteres. Fiz a inscrição e fui abrindo um dia, o outro não. E fui indo para ver no que iria dar. Depois de uns 60 dias observando a coisa, percebi que algo de novo estava acontecendo, e era para valer.

PARTE 3:
Conta Marshall McLuhan: "O telégrafo sem fio adquiriu uma publicidade espetacular em 1910, ao contribuir para a prisão, em pleno mar, do Dr. Hawley H. Crippen, um médico americano estabelecido em Londres, que assassinara a mulher, enterrando o corpo na adega da casa e fugindo com sua secretária a bordo do transatlântico Montrose."
Você sabia....?????

PARTE 4: 
A vida estava muito normal e sem graça, imagina que 24 horas do dia não davam conta de mim e eu resolvi estudar para um negócio chamado doutorado.Qual a tese, qual a tese? Resolvi que viria de uma afirmação: o Twitter é o telégrafo de McLuhan...algo brilhante assim, que descobri já estava sendo utilizado na academia, talvez não da forma que eu queria. Tudo isso para dizer que não há escapatória. Twitter é uma terra muito interessante aonde vocês deveriam ir, caso ainda não tenham ido. Acredito que muitas pessoas ainda não foram LÁ. Muitas coisas lá acontecem se você construir uma boa rede e publicar conteúdo interessante. Há pessoas agora vendendo, fazendo negócios. Elas vão se dar bem. Pois, minha gente, o Twitter, sim, é o telégrafo de McLuhan. O Twitter é o hormônio social da moçada. Foi pelo Twitter que iranianos presos foram salvos, foi pelo Twitter que Barack Obama juntou os jovens e voluntários para irem votar, e tantas outras mobilizações aconteceram pelo Twitter. Em palestra apresentei uma linha do tempo de mobilizações. 

PARTE 5:
Hoje eu trabalho LÁ. Não LÁ ainda, mas dentro das redes. As notícias chegam a mim na velocidade da luz, passo entre haikais de poesia, noticias fragmentadas, autores dilacerados, cabeças pensantes, bobagens recreativas, causa sociais, mobilizações nobres, bom dia rápido, provocações, observações,piadas e outras tantas coisas. Há momentos em que simplesmente quero fechar a máquina e não consigo. Fico ali, estatelada, vidrada na tela. Mas é isso. Assim vivemos agora - como dizia a minha querida Susan Sontag.

PARTE 6:
Para quem diz que não consegue entender, saco Clarice Lispector da minha cabeça e repito: "Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento."

4 comentários:

Nelida Capela disse...

Esqueci até de mencionar a nossa ECT - Empresa de Correios e Telégrafos.Hoje o telégafo caiu, passou para Correios.Vale a pena ler a história de como as inovações tecnologicas foram transformando a instituição.Leia+: http://www.correios.com.br/institucional/conheca_correios/conheca.cfm

Vilma Goulart disse...

Muuuuito bacana o teu post, Nélida! Gostei muito! Parabéns!

werlang gastronomia disse...

Adorei!!!!

Monica Gonçalves disse...

Astronauta de idéias, nômade das estrelas, leoa poética devoradora de letras. Gostei do texto, mas confesso que adorei a oportunidade de viajar nas entrelinhas silenciosas deste sentimento que retroalimenta a sua história docemente esparramada pela rede dos olhos daqueles que admiram você. Beijos.