10 de março de 2010

Pereira

Por um curto tempo em minha vida, eu subia e descia por uma estrada muito cheia de pedras, que me conduzia a um lugar mágico. Em minhas idas e vindas, encontrava animais no caminho, que de tanta beleza, ofuscavam minha visão e eu imaginava não tê-los visto. Pensava ser ilusão as raposas prateadas, as corujas, os ouriços e outros bichos. Doutra cosa que me lembro, da subida das pereiras. As peras selvagens e seu perfume me lembram verão e me lembram também infância. Portanto, ao subir a estrada das pereiras, eu transpunha a ponte do tempo e atravessava um portal para a inocência. Colhia as peras e preparava-as na panela com vinho tinto, canela, noz moscada e açucar. Algo engraçado nessa fixação pelas peras era o desejo de ter meu sobrenome português substituído pelo dos patrícios cristão novos: Pereira. Mas não consigo imaginar Nelida Pereira. Ou será que combina? Não é justo trocar um nome, se em parte de minha origem corre sangue transmontano, galego, flaviano. Ave Caesar e Ave Pereiras! Outra paixão que daria sobrenome é a figueira, mas essa é uma outra história. Concluo: cada um de nós carrega um baú de histórias.

5 comentários:

Euzinha! disse...

que texto mágico, provavelmente tão mágico como a estrada e o lugar para onde você ia.
totalmente sensorial, uma bela crônica, um belo cenário.
beijos.

Nelida Capela disse...

Roseana: obrigada pela visita!

werlang gastronomia disse...

Bem vc sempre tocando a gente com essa sua sensibilidade!
Adoraria fazer uma sobremesa com essas linda peras.
Bj e merci.
Re

Nelida Capela disse...

Rejane:sempre muito bom ter sua visita no blog.Obrigada!

Rita Braune disse...

Lindo texto Nelida e que a inspiração te acompanhe neste blog tão sensível.

Beijos