11 de janeiro de 2009

O Olhar de Eny Miranda

Detalhes chamam a atenção do meu olhar. Estava numa festa de aniversário, quando uma das convidadas mostrou o celular com os seguintes acessórios: um espelho e um mini lipstick. Achei o máximo! Tomei coragem e pedi para fotografar. Tirei duas fotos rápidas (1 e 3). A dona do celular disse "mas tem pouca luz". Eu respondi "não tem problema, a minha proposta é pegar o detalhe instantâneo". Então, ela pegou meu Nokia6120 e fez duas fotos (2 e 4), mas com outro olhar...o olhar de uma artista das lentes. Toda a realidade de uma foto ordinária (a minha) se transformou, em fração de segundos, numa sofisticada foto de...Eny Miranda. O olhar da fotógrafa e artista captou o meu olhar no reflexo do espelho fotografado. Agradeço Eny Miranda pelas fotos e pela permissão para publicá-las.
Sobre Eny Miranda (Fragmento de informação tirado do site Paparazzi)
Autora de Retratos do Tempo, editora SNEL
De mineira, ela só tem a origem. De resto, é carioca: agitada, falante e antenada, do jeito da tribo à beira-mar. Durante um desfile da Estação Primeira de Mangueira, para não ser expulsa do meio da avenida, tirou o colete, enrolou a câmera nele, em estilo pivete, e misturou-se à Comissão de frente, que simulava uma briga entre ricos e pobres. Foi gingando até o final, só para fotografar a escola de frente, bem de perto. Eny Maria Jorge de Miranda, filha do jornalista Onofre Miranda e nascida em Belo Horizonte, sempre quis morar no Rio. E foi nas asas da fotografia que ela aportou na cidade, aos 24 anos. Passados 15 anos, muitas realizações pessoais e histórias profissionais, entre elas ser a responsável pela fotografia de três campanhas políticas(...)
Sobre a fotografia, algumas reflexões de Susan Sontag:
"Fotografia é, antes de tudo, um modo de ver. Não é a visão em si mesma."
"Os fotógrafos são especialmente admirados se revelam verdades ocultas sobre si mesmos ou conflitos sociais que não foram plenamente cobertos pela imprensa, em sociedade ao mesmo tempo próximas e distante de onde vivem os espectadores."
"Na visão que nos define como modernos há um número infinito de detalhes. Fotos são detalhes. Portanto, fotos se parecem com a vida. Ser moderno é viver extasiado pela autonomia selvagem do detalhe."
"A obra de alguns melhores fotógrafos socialmente engajados é muitas vezes reprovada, caso se pareça muito com arte. E a fotografia entendida como arte pode incorrer numa reprovação paralela - a de que amortece a preocupação. Mostra-nos fatos, situações e conflitos que temos de deplorar e nos pede que fiquemos distantes. Pode nos mostrar algo realmente medonho e ser um teste do que nosso olhar consegue suportar e que temos o dever de aceitar. Ou muitas vezes - isto é uma verdade para boa parte da melhor fotografia atual - nos convida a olhar para a banalidade. Olhar para a banalidade e também apreciá-la, apoiados nos hábitos de ironia bastante desenvolvidos ratificados nas justaposições surreais de fotos típicas de exposições e livros sofisticados."
"A fotografia - a forma suprema de viajar, de turismo - é o principal meio moderno de ampliar o mundo. Como um ramo da arte, o projeto da fotografia de ampliação do mundo tende a especializar-se em temas tidos por contestadores, trangressivos. Uma foto pode estar nos dizendo: isso também existe. E isso. E isso. (E tudo isso é "humano".) Mas o que devemos fazer com esse conhecimento - se de fato é um conhecimento sobre, digamos, o eu, sobre a normalidade, sobre mundos clandestinos ou relegados de ostracismo?"
"Não existe uma foto final."
In: Ao Mesmo Tempo Agora (1º Carderno de escritos editados postumamente).
Consultar também: Sobre a Fotografia e Diante da Dor dos Outros.

Nenhum comentário: